quarta-feira, 28 de março de 2012
domingo, 12 de setembro de 2010
CALENDÁRIO
sábado, 17 de julho de 2010
NEW TOPS @ BR








Fotos @ Rogério CavalcantiStyling @ Chialin Chiang
Direção de arte @ Romeu Silveira
Assistente de foto @ Jorge Escudeiro
Modelos @ Uliana Tikhova @ Joy, Malu Ribeiro @ Way, Indiamara Daggerone @ AMZ, Luma Grothe @ AMZ, Malu Bortolini @ Joy, Viviane Oliveira @ MM, Carla Monfort @ Ello e Angelica Erthal @ Ford.
domingo, 4 de julho de 2010
PENSATA DA PALÔ #15

Eu bem poderia _e deveria, até_ fazer um balanço do São Paulo Fashion Week. Mas confesso que depois de três semanas de desfiles (Casa de Criadores, Fashion Rio e SPFW em si), minha cabeça ainda é um pastel de roupas, looks, cores e… as tais tendências.
Então me permiti aqui decantar as 800 coleções vistas (já que ainda temos um tempinho até essas peças chegarem às lojas e o masculino da Europa já está aí na rede) para compartilhar algumas considerações sobre a temida crítica de moda.
A quem ela serve, nos dias de hoje? Para nortear a indústria, principalmente. Já disse, e insisto, que o consumidor final pouco liga se, no pós-desfile, o/a jornalista xis gostou ou não do desfile. E lembrando novamente que um bom desfile não significa uma boa coleção. Quem gosta da marca vai à loja e compra o que lhe agrada.
Nesta temporada de verão 2011, alguma celeuma se deu em relação a algumas resenhas. Parece até que voltamos ao início dos anos 90, quando os estilistas ainda não haviam se acostumado a serem criticados e analisados publicamente, nos jornais (não havia a Internet, lembre-se). Receber um chocho impresso era considerado praticamente ofensa pessoal, e nós (os críticos) passávamos de seis meses a alguns anos até conseguirmos voltar a cumprimentar os estilistas, passada a ira.
Receber críticas não é de fato coisa lá muito agradável. Principalmente por trabalhos suados, sofridos, a custa de muitas horas de labuta, muita energia e algum dinheiro empregado neles. A primeira reação é a da mágoa, da incompreensão, passando depois pela raiva e finalmente pelo desprezo. Poucos são os que, antes da fase raiva, relêem o que foi escrito para um exame de consciência.
O peso de quem escreve importa, claro. Porém, num país de história de moda recente como o Brasil, é preciso dar voz às novas gerações de resenhadores, e deixá-la se exercitar. Ninguém começa acertando sempre, da mesma forma como bons e consolidados estilistas também são passíveis de erros.
Existem maneiras e maneiras de falar mal de uma coleção ou de um desfile. A responsabilidade e o respeito devem fazer parte da cartilha de quem escreve, como o bom português. Um jornalista sério de moda hoje deve ler muito (jornais, sites e boa literatura), ver exposições de arte; garimpar em locadoras; fuçar no You-tube; ouvir músicas novas; ter referências off-fashion. Se possível, viajar; se possível, freqüentar; se possível, se jogar na vida e em novas experiências. Exercitar a humildade e a tolerância. A autocrítica. Levar seu trabalho a sério todo o tempo sem se levar a sério todo o tempo.
Quanto aos leitores, menos pão e circo, por favor. É bobo respeitar (somente) críticos que detonam sem educação, adjetivando com leviandade ou aqueles que almejam visibilidade (ainda que tardia), os engenheiros sensacionalistas das obras prontas, aqueles que cultuam o chiste e o deboche em mesas de restaurante, salas de imprensa ou mesmo no twitter.
Cabe a todos nós aqui citados, portanto, conduzirmos uma nova etapa da moda brasileira (e não apenas a quem organiza os eventos e detém poderes). Sem patrulhas, fuxicos, ranços de autoritarismo ou hipocrisias de corredor.
Aqui neste espaço, estamos fazendo a nossa parte.
Erika Palomino
fonte@FFWBlog
segunda-feira, 14 de junho de 2010
PENSATA DA PALÔ#11 ::
Quem traduz a vontade dos estilistas ??!
Pois o styling nada mais é do que o tradutor/intérprete da imagem de moda. E na nossa contagem regressiva para o início dos desfiles de verão aqui no Brasil, é boa hora pra falar deles.
E de sua crescente importância. Em se tratando de passarela, os stylists vêm interferindo até mesmo no processo de criação e produção das marcas, entrando bem antes no trabalho, e não apenas na hora da edição dos looks. Como um consultor. Faz bem para a oxigenação do estilista ou da equipe de estilo ter alguém “de fora” com informações mais frescas ou com um olhar distanciado do dia a dia da empresa.
A stylist Melanie Ward, que nos anos 1990 foi responsável por eternizar as campanhas da Calvin Klein com a supermodelo Kate Moss ©ReproduçãoQuando a figura do stylist apareceu, em meados dos anos 90, tratava-se apenas de um top produtor de moda. Com força e personalidade para interferir na visão do estilista sobre o que entra (ou não na passarela), e na concepção de cabelo e maquiagem, música, casting e direção de cena.
O styling, portanto, pode salvar ou afundar um desfile.
Num trabalho fotográfico, numa campanha, por exemplo, o stylist vem se tornando mais poderoso do que o fotógrafo, este ser mítico. E no mercado internacional, não são poucos os stylists com cachês mais altos do que os dos profissionais por trás das câmeras.
Katie Grand, stylist e atual diretora de moda da revista “Love”, ela assina todos os desfiles e campanhas da gigante Louis Vuitton ©ReproduçãoComo ser um stylist? Deve estar se perguntando o leitor do FFW ávido por fazer parte deste restrito universo? O bom stylist deve ter, além da habilidade de compor os looks, informação de arte, cinema, música. Bastante coragem e persuasão. Ser charmoso, bem vestido, inteligente e engraçado – elementos fundamentais para o bom funcionamento do backstage e para o sucesso do trabalho.
Numa publicidade, o stylist é mais do que necessário, e este deve ter também noções do mercado em geral. Pois a publicidade, obviamente, deve ajudar a marca a vender. Entender o limite entre o comercial e o conceitual, definindo, em uma só imagem, todo o conceito da grife para aquela estação.
Emanuelle Alt, stylist e diretora de moda da “Vogue Paris”, é a responsável pelo resgate da marca Balmain nos anos 2000 ©Reprodução
Há menos stylists no Brasil do que eu gostaria. Até porque eu mesma sou péssima stylist! Não sei dar nem um laço ou fechar um botão, e quando faço edição de moda (o que não é a mesma coisa que styling), gosto mesmo é de juntar equipes talentosas, conceber e imaginar o resultado, e de colocar fogo e energia nas pessoas para que elas possam se jogar e fazer coisas malucas e nunca vistas!
Certa vez, na KEY, assim brifei um stylist: faça algo que você acha que nenhuma outra revista publicaria. Waal. Sonho e pesadelo: liberdade demais também pode enlouquecer um ser humano.
Nicola Formichetti, o stylist mais pop da atualidade: ele escolhe a dedo todos os figurinos da cantora Lady Gaga ©Reprodução Na temporada, sempre gosto de acompanhar o trabalho de Pedro Sales, Daniel Ueda, Felipe Veloso, Marcio Banfi, Mauricio Ianês, David Pollak, Monica Florêncio Fernandes… Gosto de ver o exercício dos novos nomes na Casa de Criadores, e a acho chatão quando leio no release que o styling foi feito pela equipe da marca. E aí, gente? Vamos fazer a engrenagem da moda funcionar e ajudar a formar e a consolidar mais profissionais do estilo?
Boa sorte e boa temporada para todos nós!
Palô
>> MATÉRIA REPRODUZIDA DO FFW
Muito satisfeito quando vejo o assunto abordado. Raro e ainda incomum.
Gostei particularmente do seguinte comentário @
boring hunting disse:
‘O bom stylist deve ter, além da habilidade de compor os looks, informação de arte, cinema, música. Bastante coragem e persuasão. Ser charmoso, bem vestido, inteligente e engraçado – elementos fundamentais para o bom funcionamento do backstage e para o sucesso do trabalho.’
Sabiam que eu acredito que a habilidade de compor looks não é de fato a coisa mais importante? Uma vez li em algum lugar uma citação que dizia que ser stylist é como brincar de Deus. Criar almas, personagens, seres, criaturas para o universo ilusório da imagem e transfigurar tudo isso para a moda.
Sem falar que talento, linguagem e bom senso são na minha opinião os primeiros itens dos requisitos para um profissional de sucesso da área. Mas veja bem, tudo isso em questões práticas que não envolvem o questionamento da ciência do belo enquanto moda. Afinal não há repertório cultural, características de personalidade, guarda-roupas, samba, rock ou bossa nova que superem o mal gosto. Vide Brasil.